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				<journal-title>ARBOR Ciencia, Pensamiento y Cultura</journal-title>
				<abbrev-journal-title>Arbor</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">0210-1963</issn>
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				<publisher-name>Consejo Superior de Investigaciones Cient&#x00ED;ficas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">arbor.2014.766n2006</article-id>
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				<subject>HISTORIA, CULTURA Y DEPORTE DE PORTUGAL / HISTORY, CULTURE AND SPORT FROM PORTUGAL</subject>
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				<article-title>A PRIMEIRA REP&#x00DA;BLICA PORTUGUESA (1910-1926): PARTIDOS E SISTEMA POL&#x00CD;TICO</article-title>
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					<trans-title>PORTUGUESE FIRST REPUBLIC (1910-1926): POLITICAL PARTIES AND POLITICAL-SYSTEM</trans-title>
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				<alt-title alt-title-type="running-head">A PRIMEIRA REP&#x00DA;BLICA PORTUGUESA</alt-title>
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					 <surname>Baiôa</surname>
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				<aff id="U1">CIDEHUS - Universidade de &#x00C9;vora</aff>
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			<volume>190</volume>
			<issue>766</issue>
			
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			<abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>El Partido Republicano Portugu&#x00E9;s se convirti&#x00F3; en el partido dominante del sistema pol&#x00ED;tico de la Primera Rep&#x00FA;blica Portuguesa (1910-1926) debido a causas hist&#x00F3;ricas, organizacionales, clientelistas, violentas y constitucionales. La oposici&#x00F3;n sent&#x00ED;a que dif&#x00ED;cilmente conseguir&#x00ED;a la alternancia pol&#x00ED;tica a trav&#x00E9;s de elecciones, y por lo tanto, recurre a pr&#x00E1;cticas violentas e inconstitucionales para llegar al gobierno. Los partidos pol&#x00ED;ticos portugueses se modernizaron en este per&#x00ED;odo, pero no se convirtieron en partidos de masas. En las principales ciudades actuaban como partidos de cuadros y en las zonas rurales como partidos de notables. Durante la Primera Rep&#x00FA;blica no se dieron pasos consistentes para democratizar el sistema pol&#x00ED;tico. Portugal se mantuvo ancorado a la tradici&#x00F3;n liberal y elitista del siglo XIX, aunque en una versi&#x00F3;n republicana.</p>
			</abstract>
			
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>For historical, organisational, clientelist, violent and constitutional reasons the Portuguese Republican Party became the dominant party in the political system of the Portuguese First Republic (1910-1926). The opposition felt alternation via elections would be difficult to achieve so resorted to violent and unconstitutional practices to reach government. The Portuguese political parties modernised themselves in this period, but failed to turn into mass parties. In major cities they acted as a cadre party and in the rural area as a party of notables. The First Republic failed to take solid steps to democratise the political system were And Portugal remained tied to the liberal and elitist tradition of the nineteenth century, although in a republican version.</p>
			</trans-abstract>
			
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>PALABRAS CLAVE</title>
				<kwd>Portugal</kwd>
				<kwd>Primera Rep&#x00FA;blica Portuguesa</kwd>
				<kwd>Partido Republicano Portugu&#x00E9;s</kwd>
				<kwd>partido de notables</kwd>
				<kwd>partido de cuadros</kwd>
				<kwd>partido de masas</kwd>
			</kwd-group>
			
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				<title>KEYWORDS</title>
				<kwd>Portugal</kwd>
				<kwd>Portuguese First Republic</kwd>
				<kwd>Portuguese Republican Party</kwd>
				<kwd>party of notables</kwd>
				<kwd>cadre party</kwd>
				<kwd>mass party</kwd>
			</kwd-group>
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		<sec id="S1">
		<title>1. O PARTIDO REPUBLICANO PORTUGUÊS: PARTIDO DOMINANTE DA I REP&#x00DA;BLICA PORTUGUESA (1910-1926) </title>

			<p>O Partido Republicano Português (PRP), tamb&#x00E9;m conhecido por Partido Democr&#x00E1;tico, liderou a Revolução Republicana de 1910 e tornou-se no partido dominante (quase hegem&#x00F3;nico) do sistema multipartid&#x00E1;rio da I Rep&#x00FA;blica Portuguesa (Sousa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT86">1983</xref>; Lopes <xref ref-type="bibr" rid="CIT35">1990</xref>). No entanto, não era um partido coeso, uma vez que federava muitos interesses e individualidades heterog&#x00E9;neas (Queir&#x00F3;s, <xref ref-type="bibr" rid="CIT69">2008</xref>). A preponderância do PRP durante a I Rep&#x00FA;blica e a ausência de alternância provocaram uma identificação entre o partido e o regime, dado o controlo do aparelho do Estado por parte do PRP e a dificuldade das forças da oposição em aceder aos &#x00F3;rgãos do poder. Esta situação provocou uma crise de representatividade e de participação pol&#x00ED;tica e reforçou a deslegitimação e a instabilidade da Rep&#x00FA;blica (Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT36">1994</xref>; Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT32">2009</xref>). Foi a partir deste partido abrangente que surgiram atrav&#x00E9;s de v&#x00E1;rias dissidências praticamente todos os outros partidos relevantes da I Rep&#x00FA;blica. Apenas à direita o Partido Mon&#x00E1;rquico, o Centro Cat&#x00F3;lico Português e a União dos Interesses Econ&#x00F3;micos e à esquerda o Partido Socialista e o Partido Comunista Português tiveram uma origem diferente. Este facto marcou o regime republicano dado o desejo inquebr&#x00E1;vel dos dirigentes do PRP de liderarem um movimento frentista no governo e no Parlamento que reunisse toda a fam&#x00ED;lia republicana desavinda. </p>

			<p>O dom&#x00ED;nio do sistema pol&#x00ED;tico pelo PRP tem sido explicado por razões “hist&#x00F3;ricas”, “organizativas”, “clientelares”, “violentas” e “constitucionais”. O facto de ter sido este partido que desde o per&#x00ED;odo da propaganda republicana, no per&#x00ED;odo mon&#x00E1;rquico, difundiu a ideologia republicana e preparou a revolução de 5 de Outubro de 1910 deixou marcas profundas no povo e nas elites republicanas. Esta base social de apoio inicial, associada à integração de alguns dirigentes dos antigos partidos mon&#x00E1;rquicos, permitiu-lhe criar uma densa rede organizativa e de influência por todo o pa&#x00ED;s, quando comparada com a d&#x00E9;bil estrutura dos seus dois primeiros rivais, o Partido Republicano Evolucionista (1912-1919) e a União Republicana (1912-1919). Os l&#x00ED;deres pol&#x00ED;ticos destes dois partidos republicanos moderados, Ant&#x00F3;nio Jos&#x00E9; de Almeida e Brito Camacho, abandonaram o Partido Republicano Português com os seus amigos em finais de 1911, mas tiveram de deixar atr&#x00E1;s de si o nome oficial do partido que tinha conseguido implantar a Rep&#x00FA;blica em Portugal e a m&#x00E1;quina partid&#x00E1;ria que inclu&#x00ED;a comissões pol&#x00ED;ticas, jornais e centros associativo-pol&#x00ED;ticos em quase todas as cidades e vilas portuguesas. O Partido Republicano Português tinha assim, o caminho aberto para se apoderar progressivamente dos recursos do Estado: Afonso Costa presidiu ao primeiro governo monopartid&#x00E1;rio da Rep&#x00FA;blica a partir de 9 de Janeiro de 1913; nas eleições suplementares de Novembro de 1913 o PRP obteve a maioria absoluta no Congresso; em Janeiro de 1914 tomaram posse as primeiras vereações das Câmaras Municipais resultantes de eleições, que reforçaram o dom&#x00ED;nio do PRP na prov&#x00ED;ncia. O dom&#x00ED;nio do poder central e do poder local reforçou o caciquismo exercido pelo PRP, uma vez que passou a dispor de maiores recursos p&#x00FA;blicos para disponibilizar aos seus clientes. </p>

			<p>A lei eleitoral tamb&#x00E9;m foi usada em função dos interesses do Partido Republicano Português. Os republicanos tinham sempre defendido a adoção do sufr&#x00E1;gio universal masculino durante a Monarquia. Em 1911 aprovaram uma lei que alargou o sufr&#x00E1;gio a todos os cidadãos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, ou que fossem chefes de fam&#x00ED;lia, com algumas exceções. Esta lei permitia que 14,2% da população portuguesa participasse no ato eleitoral. Era um passo em frente na aproximação ao sufr&#x00E1;gio universal masculino. No entanto, ap&#x00F3;s a formação de novos partidos republicanos e do perigo dos partidos mon&#x00E1;rquicos participarem nas eleições, o PRP fez aprovar uma nova lei eleitoral em 1913 que limitava a capacidade eleitoral apenas aos cidadãos masculinos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, pelo que apenas 7,7% da população pode participar nas eleições desse ano, uma vez que o analfabetismo atingia 69% da população portuguesa. Esta lei eleitoral reforçou o tipo de clientelismo que o PRP podia oferecer – o acesso aos serviços e ao aparelho do Estado. Esta lei afastou do sufr&#x00E1;gio as massas analfabetas do campo, f&#x00E1;ceis de convencer pelos caciques cat&#x00F3;licos, mon&#x00E1;rquicos e conservadores, diluiu o clientelismo tradicional espec&#x00ED;fico das sociedades fortemente ruralizadas e reforçou o clientelismo de transição, mais urbano e administrativo. O cacique propriet&#x00E1;rio passou a competir com novos patronos e intermedi&#x00E1;rios (comerciantes, m&#x00E9;dicos, advogados e funcion&#x00E1;rios p&#x00FA;blicos), afetos maioritariamente ao partido do governo, que controlavam e proporcionavam certos recursos, bens e serviços. O clientelismo tradicional perdeu assim importância em relação ao clientelismo estatal, administrativo, aut&#x00E1;rquico e profissional que estava nas mãos do PRP. O sistema de sufr&#x00E1;gio capacit&#x00E1;rio restrito aos homens alfabetizados manteve-se durante toda a I Rep&#x00FA;blica, com exceção da presidência de Sid&#x00F3;nio Pais, em 1918, onde pela primeira vez e de forma ef&#x00E9;mera, se instituiu o sufr&#x00E1;gio universal masculino, alargando-se o sufr&#x00E1;gio a todos os homens maiores de 21 anos (Marques, <xref ref-type="bibr" rid="CIT45">1991</xref>; Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT36">1994</xref>, 2013; Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT85">1997</xref>; Almeida, <xref ref-type="bibr" rid="CIT04">1998</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT11">2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>Este dom&#x00ED;nio hist&#x00F3;rico, organizativo e clientelar do PRP tamb&#x00E9;m foi reforçado pelas pr&#x00E1;ticas violentas exercidas pelos membros do PRP contra os seus advers&#x00E1;rios. A tradição revolucion&#x00E1;ria, jacobina e violenta que o partido trouxe da Monarquia prolongou-se no regime republicano, desta vez j&#x00E1; não s&#x00F3; contra os mon&#x00E1;rquicos, mas tamb&#x00E9;m contra os seus antigos irmãos republicanos. Agredir um l&#x00ED;der do Partido Republicano Evolucionista, incendiar ou destruir a sede de um partido ou jornal mon&#x00E1;rquico ou cat&#x00F3;lico tornou-se uma pr&#x00E1;tica corrente que as autoridades policiais e judiciais deixavam passar impunemente (Valente, <xref ref-type="bibr" rid="CIT91">1982</xref>; Valente, <xref ref-type="bibr" rid="CIT92">1997</xref>; Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT71">2001</xref>; Ramos <xref ref-type="bibr" rid="CIT72">2004</xref>). </p>

			<p>Por &#x00FA;ltimo, o regime constitucional criado pela Rep&#x00FA;blica tamb&#x00E9;m facilitou a preeminência do PRP. A constituição de 1911 criou um regime pol&#x00ED;tico onde a supremacia parlamentar era clara. O Congresso, dividido na Câmara dos Deputados e no Senado, era eleito por sufr&#x00E1;gio direto e competia-lhe legislar e fiscalizar a ação do governo e da administração p&#x00FA;blica e eleger o Presidente da Rep&#x00FA;blica para um per&#x00ED;odo de quatro anos, não prorrog&#x00E1;vel no mandato seguinte. Ao chefe de Estado cabia-lhe nomear o governo e promulgar as leis. No entanto, não possu&#x00ED;a veto absoluto ou suspensivo sobre as leis, não podia dissolver o Parlamento ou prorrogar o seu funcionamento, mas podia ser destitu&#x00ED;do por deliberação de dois terços dos membros do Congresso, o que enfraquecia bastante a sua magistratura. Com a revisão constitucional de 1919 o Presidente da Rep&#x00FA;blica passou a poder dissolver o Congresso, mas mediante pr&#x00E9;via consulta do Conselho Parlamentar (Miranda, <xref ref-type="bibr" rid="CIT52">1985</xref>; Matos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT47">2010</xref>; AA. VV., <xref ref-type="bibr" rid="CIT01">2011</xref>; Araujo; Chorão, <xref ref-type="bibr" rid="CIT09">2011</xref>). </p>

			<p>Em conclusão, o Partido Republicano Português ao liderar a Revolução de 5 de Outubro de 1910, ao conseguir obter uma maioria clara no Congresso em 1911 e principalmente em 1913, reforçou a sua hegemonia no sistema pol&#x00ED;tico e as forças da oposição teriam de futuro, muitas dificuldades em aceder aos &#x00F3;rgãos de poder cumprindo a constituição, uma vez que as eleições estavam viciadas e não havia nenhum mecanismo constitucional que forçasse a alternância pol&#x00ED;tica. </p>

			</sec>

			<sec id="S2">
			<title>2. A OPOSIÇÃO AO PARTIDO REPUBLICANO PORTUGUÊS </title>

			<p>Este dom&#x00ED;nio incontest&#x00E1;vel do PRP converteu-se numa autêntica “ditadura” para a oposição. Esta sentia que dificilmente conseguiria a alternância por via eleitoral sem recorrer a pr&#x00E1;ticas anticonstitucionais ou violentas. </p>

			<p>O in&#x00ED;cio da I Guerra Mundial e a decisão do Partido Republicano Português de participar ao lado dos aliados veio reforçar a intervenção dos militares na pol&#x00ED;tica e ampliou as tensões dentro da sociedade e dos partidos portugueses. O Presidente da Rep&#x00FA;blica, Manuel de Arriaga, sens&#x00ED;vel aos argumentos dos republicanos conservadores nomeou em 25 de Janeiro de 1915 um executivo de iniciativa presidencial, liderado pelo general Pimenta de Castro, constitu&#x00ED;do maioritariamente por militares, sem o apoio do Congresso. O PRP considerou esta decisão anticonstitucional, pelo que se estaria a viver em “ditadura”, e por isso, agiu de forma violenta a 14 de Maio do mesmo ano. O regresso do PRP ao poder não desarmou a oposição na sua estrat&#x00E9;gia e Machado Santos, o her&#x00F3;i da implantação da Rep&#x00FA;blica, tentou um golpe de Estado a 13 de Dezembro de 1916 e Sid&#x00F3;nio Pais a 5 de Dezembro de 1917. Se o primeiro caiu frustrado, o segundo frutificou num regime republicano alternativo, que conseguiu num primeiro momento agrupar todas as fações contr&#x00E1;rias à pol&#x00ED;tica empreendida desde 1910 pelo Partido Republicano Português. </p>

			<p>O regime liderado por Sid&#x00F3;nio Pais, conhecido por “Sidonismo” ou “Nova Rep&#x00FA;blica” (Dezembro de 1917 a Dezembro de 1918), antecipou algumas soluções pol&#x00ED;ticas empreendidas pelas ditaduras europeias autorit&#x00E1;rias e fascistas dos anos vinte e trinta. Com Sid&#x00F3;nio Pais houve uma recuperação dos valores tradicionais e ordeiros, num sistema pol&#x00ED;tico carism&#x00E1;tico, presidencialista e populista. O Estado ganhou um papel mais interventivo contra a plutocracia e repressivo contra o movimento oper&#x00E1;rio e republicano de esquerda. Por outro lado, Sid&#x00F3;nio Pais procurou avançar para uma nova organização pol&#x00ED;tica e ultrapassar o divisionismo criado pelo Liberalismo e pelo Republicanismo, aproximando-se dos cat&#x00F3;licos, dos mon&#x00E1;rquicos e de outros corpos sociais banidos dos &#x00F3;rgãos do poder desde 1910. Avançou-se para uma superação dos partidos pol&#x00ED;ticos e do Parlamento enquanto forma de representação dos interesses nacionais com a criação dos organismos corporativos, com a formação de um esboço de partido &#x00FA;nico agregador das tendências conservadoras (Partido Nacional Republicano) e com o novo papel mobilizador do “chefe” (Telo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT90">2000</xref>; Meneses, <xref ref-type="bibr" rid="CIT49">1998</xref>; Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT83">2006</xref>). </p>

			<p>A corrente central de opinião que defendia o presidencialismo autorit&#x00E1;rio republicano contr&#x00E1;rio ao parlamentarismo chegou ao governo apenas com Sid&#x00F3;nio Pais, mas tinha j&#x00E1; dado mostras da sua presença desde o tempo da propaganda republicana durante a Monarquia. O forte impacto que a participação de Portugal na Grande Guerra provocou na sociedade portuguesa permitiu uma aliança t&#x00E1;tica de v&#x00E1;rios sectores contr&#x00E1;rios à pol&#x00ED;tica do PRP. Inicialmente Sid&#x00F3;nio Pais teve o apoio do seu partido (União Republicana), do Partido Centrista Republicano (dissidência do Partido Republicano Evolucionista), e de sectores aparentemente divergentes: mon&#x00E1;rquicos, cat&#x00F3;licos e operariado (Telo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT89">1977</xref>; Cruz, <xref ref-type="bibr" rid="CIT19">1980</xref>; Samara, <xref ref-type="bibr" rid="CIT79">2002</xref>; Santos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT80">2003</xref>). Este bloco desfez-se quando Sid&#x00F3;nio Pais avançou para a criação dum regime presidencialista. A criação no in&#x00ED;cio de Abril do partido de apoio ao regime - <italic>Partido Nacional Republicano</italic>, no qual se fundiu o Partido Centrista Republicano, e a eleição simultânea do Presidente da Rep&#x00FA;blica e do Congresso em 28 de Abril de 1918, provocou o abandono do governo dos três membros da União Republicana e o in&#x00ED;cio de uma pol&#x00ED;tica de distanciamento face ao regime. Sid&#x00F3;nio Pais foi eleito Presidente da Rep&#x00FA;blica, sem oposição, e o partido do regime obteve a maioria absoluta na Câmara dos Deputados (108 deputados em 155) com o suporte da censura, sem a participação dos principais partidos republicanos, mas com sufr&#x00E1;gio universal masculino. Os mon&#x00E1;rquicos que participaram pela primeira vez nas eleições ap&#x00F3;s a proclamação da Rep&#x00FA;blica elegeram 37 deputados e os cat&#x00F3;licos e os independentes 5. Continuou a haver um partido dominante no Congresso, desta vez de cariz conservador, mas as tensões e as divergências à esquerda e à direita intensificaram-se, uma vez que o Sidonismo não atendeu a todas as suas reivindicações. O Congresso e o Partido Nacional Republicano tiveram uma ação irrelevante e pouco mobilizadora dentro do regime. Ficaram submetidos à ação do Presidente, o que realçou as divergências internas (Samara, <xref ref-type="bibr" rid="CIT78">2004</xref>; Meneses, <xref ref-type="bibr" rid="CIT51">2011</xref>). </p>

			<p>O vazio de poder criado com o assassinato de Sid&#x00F3;nio Pais a 14 de Dezembro de 1918 conduziu o pa&#x00ED;s a uma guerra civil. No norte de Portugal foi proclamada a Monarquia em 19 de Janeiro de 1919 e passados quatro dias rebentou em Lisboa uma insurreição mon&#x00E1;rquica. O perigo mon&#x00E1;rquico desfez o que restava do bloco “Sidonista” e uniu temporariamente os republicanos desavindos na defesa das suas instituições. Em poucas semanas a revolta mon&#x00E1;rquica foi debelada. </p>

			<p>Ap&#x00F3;s o Sidonismo parecia que se tinha regressado à situação pol&#x00ED;tica da primeira fase da Rep&#x00FA;blica. A elite sidonista agrupada em torno do Partido Nacionalista Republicano entrou em abatimento e dividiu-se. Um grupo formou o Partido Republicano Conservador com o objetivo de criar um sistema bipartid&#x00E1;rio rotativista, mas viria a desintegrar-se em 1920. Um outro grupo fundou o Partido Nacional Republicano Presidencialista, com o objetivo de continuar herança do Sidonismo, realçando o corporativismo e a dimensão antiliberal. No entanto, teve uma importância residual no sistema de partidos da I Rep&#x00FA;blica, embora os seus membros viessem a integrar um leque variado de organizações conservadoras. Uma parte da sua elite ingressou no Partido Republicano Liberal em 1919, outra parte integraria em 1925 o sector conservador republicano, encarnado então pelo Partido Republicano Nacionalista e outra parte esteve no in&#x00ED;cio da formação dos grupos radicais nacionalistas pr&#x00F3;ximos do fascismo. O irreverente Machado Santos continuou a não querer integrar os partidos tradicionais, tendo fundado em 1919 a Federação Nacional Republicana. Nos partidos republicanos tradicionais parecia que nada tinha mudado. O Partido Republicano Português conseguiu nova maioria absoluta no Parlamento nas eleições de 11 de Maio de 1919 ao eleger 86 deputados dos 163 que compunham a Câmara dos Deputados. Os partidos republicanos conservadores anularam-se parcialmente na maior parte dos c&#x00ED;rculos eleitorais, o que contribuiu para que obtivessem resultados modestos, embora superiores em relação às eleições de 1915. O Partido Republicano Evolucionista elegeu 38 deputados e a União Republicana 17, o que os colocava como as principais forças da oposição, mas sem possibilidade de representarem uma alternativa no Parlamento à supremacia do PRP. Os independentes e os socialistas viram a sua influência crescer significativamente nestas eleições do p&#x00F3;s-guerra, tendo os primeiros elegido 13 deputados e os segundos 8. Os cat&#x00F3;licos voltaram a conseguir eleger 1 deputado, mas baixaram a sua representação parlamentar face ao Sidonismo e os mon&#x00E1;rquicos voltaram a não ter condições pol&#x00ED;ticas para se apresentarem às urnas, dada a proximidade da insurreição mon&#x00E1;rquica e a posterior violência e coação republicana (Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT12">2004</xref>; Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT31">2008</xref>). </p>

			<p>No entanto, a situação pol&#x00ED;tica estava profundamente alterada depois da participação de Portugal na I Guerra Mundial e das experiências “autorit&#x00E1;rias” de Pimenta de Castro e de Sid&#x00F3;nio Pais. Os partidos republicanos e os pol&#x00ED;ticos estavam profundamente divididos entre intervencionistas e neutralistas, entre apoiantes de Pimenta de Castro e participantes na revolução de 14 de Maio de 1915 e entre Sidonistas e “verdadeiros republicanos”. Estes ressentimentos agravados por &#x00F3;dios pessoais afetaram internamente todos os partidos (Meneses, <xref ref-type="bibr" rid="CIT50">2004</xref>). Afonso Costa, o l&#x00ED;der carism&#x00E1;tico do PRP e da primeira fase da I Rep&#x00FA;blica (1910-1917), afastou-se do pa&#x00ED;s e do seu partido profundamente magoado pelas incompreensões de que tinha sido v&#x00ED;tima. O preço que colocou para o seu regresso ao governo era impratic&#x00E1;vel – a união de todos os partidos republicanos. Nem dentro do PRP isso foi poss&#x00ED;vel. Foi dif&#x00ED;cil encontrar uma estrat&#x00E9;gia e um l&#x00ED;der consensual dentro do PRP ap&#x00F3;s 1919. A orgânica interna dos partidos republicanos assentes em Diret&#x00F3;rios e contr&#x00E1;rios ao presidencialismo tamb&#x00E9;m contribuiu para acentuar os conflitos internos e as cisões. Os novos candidatos a l&#x00ED;deres do PRP, Ant&#x00F3;nio Maria da Silva, Domingos Pereira e &#x00C1;lvaro de Castro, enfrentaram as suas estrat&#x00E9;gias e o seu pessoal pol&#x00ED;tico no partido e no Parlamento, chegando ao ponto de governos do PRP ca&#x00ED;rem com votos de deputados do PRP, casos do governo de S&#x00E1; Cardoso, a 21 de Janeiro de 1920 e Domingos Pereira a 4 de Março de 1920. Em Março/Abril de 1920 &#x00C1;lvaro de Castro, conjuntamente com 19 deputados e 10 senadores abandonou o PRP. Nos meses seguintes, outros parlamentares viriam a unir-se ao grupo de &#x00C1;lvaro de Castro formando o Partido Republicano de Reconstituição Nacional que chegou a contar com 33 deputados e 10 senadores (Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT84">1996</xref>). Em Novembro de 1920 Domingos Pereira, conjuntamente com os seus amigos, tamb&#x00E9;m criou uma nova dissidência dentro do PRP, mas viria a integrar-se novamente no seu antigo partido em Dezembro de 1921. O Partido Republicano Português deixou de ter a maioria absoluta na Câmara dos Deputados desde Março de 1920 e s&#x00F3; voltou a recuper&#x00E1;-la em Dezembro de 1925. Esta situação deveu-se à falta sistem&#x00E1;tica de alguns parlamentares às sessões do Parlamento, mas principalmente às cisões e à falta de coesão do PRP (Marques, <xref ref-type="bibr" rid="CIT44">1980</xref>; Farinha, <xref ref-type="bibr" rid="CIT22">2002</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>A fragmentação não afetava apenas o PRP. O Partido Republicano Evolucionista, a União Republicana e o Partido Mon&#x00E1;rquico tamb&#x00E9;m viviam momentos de instabilidade interna. Os fracos resultados eleitorais obtidos pelos dois partidos republicanos conservadores em Maio de 1919 levaram-nos a reconhecer o erro cometido no mês anterior, ao recusarem a fusão num partido das direitas republicanas, alternativo ao PRP. Esta fusão viria a concretizar-se em Outubro de 1919, com o aparecimento do Partido Republicano Liberal. Os l&#x00ED;deres hist&#x00F3;ricos dos dois antigos partidos republicanos, Ant&#x00F3;nio Jos&#x00E9; de Almeida e Brito Camacho, estavam a retirar-se progressivamente da pol&#x00ED;tica partid&#x00E1;ria, tendo o primeiro sido eleito Presidente da Rep&#x00FA;blica em Agosto de 1919 e o segundo desempenhou o cargo de Alto-comiss&#x00E1;rio de Moçambique entre 1920 e 1923. O novo Chefe de Estado, Ant&#x00F3;nio Jos&#x00E9; de Almeida, viu o seu poder reforçado devido à revisão constitucional de 1919, que proporcionava ao Presidente da Rep&#x00FA;blica o poder de dissolver o Congresso, ap&#x00F3;s parecer do conselho parlamentar. Esta alteração constitucional dava ao partido que dominasse o executivo a oportunidade de manobrar as eleições em seu favor, o que previsivelmente quebraria a invencibilidade do PRP. No entanto, a vida do Partido Republicano Liberal não foi f&#x00E1;cil, dividido internamente pela cont&#x00ED;nua ligação dos seus membros às antigas fidelidades partid&#x00E1;rias e pelo facto de alguns parlamentares insatisfeitos com a fusão terem enveredado pela formação do Partido Popular, que adotou uma orientação esquerdista, o que lhe valeu o ingresso de pol&#x00ED;ticos de diferentes partidos, em particular de antigos membros do PRP. </p>

			<p>Esta fragmentação alterou ligeiramente o sistema de partidos. De 1910 a 1917 t&#x00ED;nhamos um multipartidarismo circunscrito de partido dominante. De 1920 a 1925, passamos a ter um multipartidarismo disperso de partido dominante, com uma pulverização crescente das forças partid&#x00E1;rias. O PRP continuou a ter um papel predominante, embora desta vez mais fragilizado. Ap&#x00F3;s as eleições de 1925 o PRP reforçou novamente a posição de partido dominante do sistema partid&#x00E1;rio (Sousa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT86">1983</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>A violência pol&#x00ED;tica e social agravou-se no in&#x00ED;cio dos anos vinte, fruto da deterioração das condições de vida no contexto do p&#x00F3;s-guerra. A incapacidade dos governos para resolver os problemas financeiros e da ordem p&#x00FA;blica, associada à maior visibilidade dos militares ap&#x00F3;s a I Guerra Mundial, sujeitou o poder civil ao poder militar. Os membros das forças armadas passaram a desempenhar um papel mais relevante dentro dos partidos, do Parlamento e nos governos, facto sem paralelo na Europa de então. E, à semelhança do que sucedeu em Espanha, tamb&#x00E9;m formaram “juntas militares” em 1918 e 1919. No entanto, esta maior participação dos militares nas instituições pol&#x00ED;ticas da I Rep&#x00FA;blica não permitiu resolver os problemas corporativos e financeiros que afetavam o enorme n&#x00FA;mero de oficiais portugueses do p&#x00F3;s-guerra. Uma parte dos militares deixou de se identificar com o regime e com o PRP e preparou in&#x00FA;meras sublevações (Carrilho, <xref ref-type="bibr" rid="CIT16">1985</xref>; Ferreira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT24">1992</xref>). </p>

			<p>A pulverização e indisciplina partid&#x00E1;ria associada ao problema da ordem p&#x00FA;blica e à interferência dos militares nas instituições pol&#x00ED;ticas provocaram uma instabilidade governativa galopante. O Presidente da Rep&#x00FA;blica nomeou entre 15 de Janeiro de 1920 e 2 de Março de 1921 dez governos com v&#x00E1;rias combinações partid&#x00E1;rias. O Congresso eleito em 1919 estava muito transformado devido às dissidências, às fusões e à desordem dentro dos partidos. Os pequenos partidos, como o Partido Republicano de Reconstituição Nacional e o Partido Popular, passaram a desempenhar um papel decisivo na formação dos executivos atrav&#x00E9;s de entendimentos parlamentares com os grandes partidos (PRP e Partido Republicano Liberal). Era evidente que j&#x00E1; não era poss&#x00ED;vel encontrar uma solução governativa est&#x00E1;vel com aquele Parlamento. Esta era a oportunidade que h&#x00E1; muito anos esperavam os republicanos conservadores. O Presidente da Rep&#x00FA;blica, Ant&#x00F3;nio Jos&#x00E9; de Almeida, pôde, devido à revisão constitucional de 1919, nomear um governo do Partido Republicano Liberal e dissolveu o Congresso. As novas eleições realizadas em 10 de Julho de 1921 deram, como era habitual, a vit&#x00F3;ria ao partido que estava no governo, embora não tivesse conseguido alcançar a maioria absoluta. O Partido Republicano Liberal elegeu 79 deputados (em 163), o Partido Republicano Português 54 e o Partido Republicano de Reconstituição Nacional 12. Os restantes 18 lugares da Câmara dos Deputados foram distribu&#x00ED;dos por pequenas formações que poderiam desempenhar um papel importante dada a maioria clara, mas não absoluta, que o Partido Republicano Liberal conseguiu. Os mon&#x00E1;rquicos que finalmente tiveram condições para ir às urnas obtiveram 4 deputados, os independentes 5, Cat&#x00F3;licos 3, Dissidentes 3, Regionalistas 2 e Populares 1 (Marques, <xref ref-type="bibr" rid="CIT44">1980</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT12">2004</xref>). </p>

			<p>A vigência do novo governo do Partido Republicano Liberal liderado por Ant&#x00F3;nio Granjo seria, no entanto, breve e viria a terminar tragicamente. As consequências econ&#x00F3;micas e sociais do p&#x00F3;s-guerra acentuaram-se no Verão de 1921 e o governo viu-se obrigado a tomar algumas medidas impopulares que estimularam uma insurreição esquerdista. A 19 de Outubro de 1921 rebentou um pronunciamento militar contra o governo. Este, ao verificar a impossibilidade de resistir demitiu-se. Por&#x00E9;m, uma corrente radical acabou por sequestrar e matar o presidente do governo demission&#x00E1;rio, Ant&#x00F3;nio Granjo, conjuntamente com outras figuras importantes do regime republicano. Este acontecimento violento, conhecido por “noite sangrenta”, marcou fortemente as elites e a opinião p&#x00FA;blica portuguesa. Ficou demonstrada a fragilidade das instituições republicanas e provou-se que a Rep&#x00FA;blica era apenas um regime democr&#x00E1;tico na aparência, dado que nem admitia a alternância de partidos no poder, habitual nos regimes elitistas do s&#x00E9;culo XIX. </p>

			<p>A “noite sangrenta” acentuou o descr&#x00E9;dito e a deslegitimação dos partidos pol&#x00ED;ticos, da classe dirigente portuguesa e da pr&#x00F3;pria Rep&#x00FA;blica. No entanto, foi um t&#x00F3;nico para que os pol&#x00ED;ticos republicanos tomassem consciência que era necess&#x00E1;rio fazer uma tr&#x00E9;gua. Foi finalmente poss&#x00ED;vel governar com alguma estabilidade. Um pacto concertado entre os principais partidos republicanos permitiu formar um governo de concentração integrando membros do Partido Republicano Português, do Partido Republicano Liberal, do Partido Republicano de Reconstituição Nacional e independentes, chefiado por Cunha Leal, que preparou as novas eleições legislativas de 29 de Janeiro de 1922. O Partido Republicano Português voltou a ganhar as eleições, mas sem maioria absoluta (71 deputados em 163). O Partido Republicano Liberal foi a segunda força mais votada, obtendo 33 deputados, seguido do Partido Republicano de Reconstituição Nacional com 17 e dos Governamentais de Cunha Leal com 13. Os partidos republicanos minorit&#x00E1;rios contavam com o desprest&#x00ED;gio do PRP e a divisão interna do Partido Republicano Liberal para integrarem governos de concentração republicana. No entanto, o Partido Republicano Português atrav&#x00E9;s de uma aproximação aos cat&#x00F3;licos (5 deputados), aos regionalistas (2 deputados) e do apoio de alguns independentes (5 deputados), que o pr&#x00F3;prio PRP tinha ajudado nalguns casos a eleger, conseguiu uma maioria suficiente no Parlamento para formar um governo liderado por Ant&#x00F3;nio Maria da Silva (Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT84">1996</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT12">2004</xref>; Farinha, <xref ref-type="bibr" rid="CIT23">2009</xref>). </p>

			<p>A nova inclinação conciliadora e conservadora do PRP e o apaziguamento com a Igreja Cat&#x00F3;lica ap&#x00F3;s a “noite sangrenta” conduziu a que alguns radicais esquerdistas sa&#x00ED;ssem do PRP, para se associarem a alguns membros do Partido Popular, formando o Partido Republicano Radical. Esta depuração à esquerda do PRP não ficou totalmente resolvida, dado que continuaram as divergências internas, ideol&#x00F3;gicas e pessoais, entre “ordeiros” (linha conservadora encabeçada por Ant&#x00F3;nio Maria da Silva) e “canhotos” (linha esquerdista liderada por Jos&#x00E9; Domingues dos Santos). Este conflito latente culminou em Julho de 1925, quando um grupo de parlamentares canhotos se juntou à oposição para derrubarem um governo ordeiro do PRP liderado por Ant&#x00F3;nio Maria da Silva. Os parlamentares canhotos foram irradiados do partido e formaram o Partido Republicano da Esquerda Democr&#x00E1;tica. O PRP embora continuasse a ganhar as eleições estava a ficar isolado e cercado. Os conservadores não confiavam nele devido à herança jacobina e os radicais tinham-no abandonado devido ao seu aburguesamento e à sua crescente conc&#x00F3;rdia com o bloco da direita (Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT71">2001</xref>; Queir&#x00F3;s, <xref ref-type="bibr" rid="CIT69">2008</xref>; Rosas, <xref ref-type="bibr" rid="CIT77">2010</xref>). </p>

			<p>Do lado conservador as divergências tamb&#x00E9;m permaneciam. Contudo, a perspetiva de um conflito interno no PRP incentivou um maior esforço de unidade. Depois de alguns meses de negociações formou-se, em Fevereiro de 1923, o Partido Republicano Nacionalista que reunia o Partido Republicano de Reconstituição Nacional e o Partido Republicano Liberal, ao qual j&#x00E1; se tinha associado recentemente Cunha Leal e os seus apaniguados. Este novo partido republicano conservador tinha fortes aspirações de vir a tornar-se uma alternativa de direita ao PRP dentro de uma Republica que eles pretendiam “para todos os portugueses”. Iniciou rapidamente uma campanha de obstrucionismo junto do Congresso ao governo do PRP de Ant&#x00F3;nio Maria da Silva, chegando a abandonar o Parlamento entre 2 de Maio e 22 Junho de 1923 e entre 18 de Fevereiro e 22 de Abril de 1925. Os membros do Partido Republicano Nacionalista procuraram ainda influenciar o Presidente da Rep&#x00FA;blica para dissolver o Congresso e para os nomearem para o executivo, podendo assim, conduzir à sua maneira as eleições. Mas, o Presidente da Rep&#x00FA;blica, Manuel Teixeira Gomes, optou por tentar formar um “governo nacional” presidido por Afonso Costa, que deveria ter a colaboração e a participação do Partido Republicano Nacionalista. Todavia, este partido recusou formar governo com o Partido Republicano Português, pelo que Afonso Costa exilou-se novamente em Paris. As divergências internas no PRP ditaram a nomeação de um executivo minorit&#x00E1;rio do Partido Republicano Nacionalista liderado por Ant&#x00F3;nio Ginestal Machado a 15 de Novembro de 1923. Por&#x00E9;m, este governo viria a ser ef&#x00E9;mero devido à revolta militar de 10 de Dezembro de 1923, à recusa do Presidente da Rep&#x00FA;blica em conceder a dissolução parlamentar e ao facto de ter um apoio minorit&#x00E1;rio no Congresso. A queda do governo do Partido Republicano Nacionalista agravou as divergências entre alguns dos seus membros, tendo um grupo liderado por &#x00C1;lvaro de Castro avançado para a cisão, formando o Grupo Parlamentar de Acção Republicana. &#x00C1;lvaro de Castro viria a ser chamado para chefiar o pr&#x00F3;ximo executivo (18/12/1923), com o apoio maiorit&#x00E1;rio do PRP. O Partido Republicano Nacionalista sofreu uma nova dissidência em Março de 1926 quando Cunha Leal e os seus amigos abandonaram o IV Congresso do seu antigo partido para formarem a União Liberal Republicana (Pinto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT67">1995</xref>; Farinha, <xref ref-type="bibr" rid="CIT23">2009</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>Entre 18 de Dezembro de 1923 e o final da I Rep&#x00FA;blica, o PRP voltou a dominar os sete governos que se formaram. Contudo, foram maioritariamente governos de coligação, contando com o apoio do Grupo Parlamentar de Acção Republicana e dos independentes. No entanto, a queda e formação destes governos derivaram frequentemente do lit&#x00ED;gio e da proeminência da tendência esquerdista ou ordeira do PRP. </p>

			<p>Depois de v&#x00E1;rias tentativas falhadas de reforma do sistema pol&#x00ED;tico e de unificação das forças republicanas conservadoras, o Partido Republicano Português continuou à frente de uma Rep&#x00FA;blica descredibilizada. A desconfiança no sistema eleitoral e nos partidos pol&#x00ED;ticos levou a que vastos interesses econ&#x00F3;micos e sociais buscassem uma representação e uma atuação direta perante o poder, sem nenhum tipo de mediação pol&#x00ED;tica, dado que não se sentiam suficientemente representados e defendidos pelo Parlamento, pelos partidos e pelo governo. </p>

			<p>O descr&#x00E9;dito dos partidos enquanto organizações de mediação da sociedade com o poder pol&#x00ED;tico e a necessidade de criar um governo forte, fora dos partidos, tamb&#x00E9;m encontrou acolhimento entre as organizações patronais, o ex&#x00E9;rcito e as forças antiliberais. Estas organizações viraram-se sobre si mesmas numa estrat&#x00E9;gia “corporativa” de reforço orgânico, contra as instituições republicanas e contra a “ditadura do PRP”. As elites econ&#x00F3;micas e sociais entraram em rota de colisão com os governos do PRP em 1924, ap&#x00F3;s o aumento de alguns impostos. As organizações patronais decidiram formar um partido (União dos Interesses Econ&#x00F3;micos) com o objetivo de intervir ativamente na pol&#x00ED;tica, dado que não se identificavam com nenhum dos partidos pol&#x00ED;ticos existentes e sentiam-se alarmados com a agitação social, com a situação econ&#x00F3;mica do pa&#x00ED;s, com o desenvolvimento do comunismo e com a passividade e inefic&#x00E1;cia dos poderes pol&#x00ED;ticos. A tensão corporativa entre o ex&#x00E9;rcito e os governos republicanos tamb&#x00E9;m cresceu neste per&#x00ED;odo. Ainda que os militares estivessem profundamente divididos em termos pol&#x00ED;ticos e partid&#x00E1;rios, verificou-se uma crescente unidade na intervenção dos militares na pol&#x00ED;tica atrav&#x00E9;s de pronunciamentos militares no sentido de resolver os problemas corporativos das forças armadas e de criar um governo extrapartid&#x00E1;rio que afastasse a oligarquia do PRP do poder. A extrema-direita dividida entre organizações mon&#x00E1;rquicas e republicanas tamb&#x00E9;m enveredou por uma estrat&#x00E9;gia de unidade antissistema contra a “ditadura do PRP” (Pinto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT66">2004</xref>). </p>

			<p>Um grupo de intelectuais republicanos liberais associados em torno da revista <italic>Seara Nova</italic> apercebeu-se do perigo que corria a Rep&#x00FA;blica pela progressão do ide&#x00E1;rio antiliberal em Portugal tanto por via da direita radical - Integralismo Lusitano, Cruzada Nacional D. Nuno &#x00C1;lvares Pereira e Fascismo (Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT30">1999</xref>; Pinto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT65">2001</xref>), como por via da esquerda radical - Anarquismo e Comunismo (Freire, <xref ref-type="bibr" rid="CIT27">1992</xref>; Pereira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT63">1999</xref>; Madeira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT43">2013</xref>) e investiram na cr&#x00ED;tica e na reforma das instituições republicanas no sentido de conciliar a herança liberal com o fortalecimento do executivo. O grupo da <italic>Seara Nova</italic> atacou a partidocracia e defendeu a formação de um governo nacional de “competências”, com poderes extraordin&#x00E1;rios conferidos pelo Parlamento como uma solução transit&#x00F3;ria para reformar o sistema pol&#x00ED;tico e cimentar o liberalismo. Alguns destes intelectuais ainda entraram efemeramente no governo de &#x00C1;lvaro de Castro, mas acabariam por sair desiludidos por não terem conseguido alterar o sistema pol&#x00ED;tico (Reis, <xref ref-type="bibr" rid="CIT73">2004</xref>). </p>

			<p>Embora o Partido Republicano Português voltasse a ganhar por maioria absoluta as eleições legislativas de 8 de Novembro de 1925, utilizando a violência, a fraude e acordos il&#x00ED;citos com v&#x00E1;rios caciques, encontrava-se profundamente isolado e cercado pelos partidos, sindicatos, associações patronais e militares. Estas organizações passaram a atuar de forma desleal e semilegal, pois não acreditavam no sistema eleitoral e pol&#x00ED;tico. Assim, à semelhança de outros pa&#x00ED;ses europeus do p&#x00F3;s-guerra, não havia um consenso b&#x00E1;sico sobre o funcionamento dos &#x00F3;rgãos pol&#x00ED;ticos e a falta de legitimidade democr&#x00E1;tica do regime, impedia superar a crise de efic&#x00E1;cia das instituições pol&#x00ED;ticas republicanas (Linz; Stepan, <xref ref-type="bibr" rid="CIT34">1978</xref>; Linz, <xref ref-type="bibr" rid="CIT33">1991</xref>; Pinto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT64">2000</xref>). </p>

			<p>O &#x00FA;ltimo governo da I Rep&#x00FA;blica liderado por Ant&#x00F3;nio Maria da Silva (17/12/1925 a 30/5/1926) viu todas as organizações pol&#x00ED;ticas da oposição explorarem alguns escândalos econ&#x00F3;mico-financeiros, conspirarem contra o governo do PRP e desenvolverem um profundo obstrucionismo no Parlamento, não permitindo a votação de algumas leis. Para isso, utilizaram v&#x00E1;rios estratagemas, como a sa&#x00ED;da das sessões para não haver qu&#x00F3;rum, agredir um deputado ou simplesmente fazer um discurso de v&#x00E1;rias horas. A preparação e execução do golpe militar de 28 de Maio de 1926 teve a participação de elementos de quase todos os partidos, da esquerda à direita. Todos queriam implantar uma ditadura transit&#x00F3;ria que acabaria com a hegemonia do PRP e permitiria lançar as bases de um novo regime. No entanto, era apenas este o elo de união das forças pol&#x00ED;ticas e militares que realizaram o movimento revolucion&#x00E1;rio que acabou com a I Rep&#x00FA;blica (Farinha, <xref ref-type="bibr" rid="CIT21">1998</xref>; Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT70">2000</xref>; Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT71">2001</xref>; Afonso, <xref ref-type="bibr" rid="CIT02">2001</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			</sec>


			<sec id="S3">
			<title>3. TRANSIÇÃO FALHADA PARA DEMOCRACIA E PARA OS PARTIDOS DE MASSAS </title>

			<p>Durante a I Rep&#x00FA;blica Portuguesa manteve-se um sistema multipartid&#x00E1;rio de partido dominante, mas com uma elevada instabilidade pol&#x00ED;tica. Portugal teve 45 governos e 29 tentativas de golpe de Estado entre 1910 e 1926 e apresentou o maior &#x00ED;ndice de instabilidade governativa da Europa no per&#x00ED;odo anterior à grande depressão, com uma duração m&#x00E9;dia de 117 dias por cada executivo (1918 a 1926). Em segundo lugar encontrava-se a Jugosl&#x00E1;via com uma duração m&#x00E9;dia de 154 dias e em terceiro lugar a Espanha com uma duração m&#x00E9;dia de 166 dias (Linz, <xref ref-type="bibr" rid="CIT33">1991</xref>). </p>

			<p>A instabilidade governativa derivou essencialmente de dois problemas. Em primeiro lugar, o Partido Republicano Português, embora dominasse o Parlamento, não conseguiu criar consensos internos que dessem estabilidade ao poder executivo. O PRP formou essencialmente governos de coligação, com o apoio de outros partidos e de deputados independentes, o que favoreceu a disc&#x00F3;rdia dentro do PRP e o aparecimento de fações. Durante largos per&#x00ED;odos o Direct&#x00F3;rio do PRP não controlou o seu grupo parlamentar. Por isso, muitos governos do PRP ca&#x00ED;ram com votos de parlamentares do PRP. Em segundo lugar, houve uma incapacidade de encontrar mecanismos pac&#x00ED;ficos de alternância ou de governação est&#x00E1;vel. Durante a I Rep&#x00FA;blica continuou a viver-se num regime de “eleições feitas e não justas” que proporcionavam a vit&#x00F3;ria sistem&#x00E1;tica do partido do governo atrav&#x00E9;s de v&#x00E1;rios mecanismos de “engenharia eleitoral” (Freire, <xref ref-type="bibr" rid="CIT26">2011</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). Por isso, os partidos da oposição não tendo confiança no funcionamento do sistema eleitoral, recorreram à violência e às revoluções para chegar ao poder: “são as revoluções e não as eleições que asseguram a alternância pol&#x00ED;tica” (Costa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT18">2001</xref>, 69). Na Monarquia Constitucional o Rei podia demitir o governo, nomear um novo governo da oposição, dissolver o Parlamento e marcar novas eleições que davam normalmente a vit&#x00F3;ria ao partido do governo. Este mecanismo de alternância pol&#x00ED;tica permitiu esbater durante algum tempo as tensões pol&#x00ED;ticas. Durante a I Rep&#x00FA;blica o sistema constitucional limitou esta pr&#x00E1;tica. Assim, muitos pol&#x00ED;ticos enveredaram pelos golpes de Estado para chegar ao governo, uma vez que o sistema eleitoral e constitucional não lhes abria essa possibilidade. A violência e a revolução tornaram-se fontes de legitimação da alternância pol&#x00ED;tica que posteriormente a “soberania do povo” validava. </p>

			<p>As v&#x00E1;rias f&#x00F3;rmulas governativas ensaiadas (governos partid&#x00E1;rios, de coligação, de fação e de iniciativa presidencial) não tiveram sucesso duradouro devido principalmente às lutas internas no partido dominante da I Rep&#x00FA;blica. Portugal manteve uma instabilidade pol&#x00ED;tica end&#x00E9;mica, embora tivesse aparentemente um sistema partid&#x00E1;rio capaz de criar condições de grande estabilidade pol&#x00ED;tica. Os partidos radicais de esquerda e direita eram minorit&#x00E1;rios (o Partido Comunista Português e os movimentos e partidos fascistas nunca conseguiram eleger um deputado ou senador) e o Partido Republicano Português dominava o Parlamento. A fragmentação partid&#x00E1;ria deu-se principalmente nos partidos do centro pol&#x00ED;tico e não derivou normalmente de grandes divergências ideol&#x00F3;gicas, mas de diferenças pessoais entre os l&#x00ED;deres (Schwartzman, <xref ref-type="bibr" rid="CIT81">1989</xref>; Matos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT47">2010</xref>). </p>

			<p>Em Portugal o p&#x00F3;s-guerra não trouxe reformas no sentido de alargar a cidadania e não se deram passos para introduzir o sistema proporcional, nem c&#x00ED;rculos mais coerentes, como em It&#x00E1;lia em 1918-19. Manteve-se o sistema eleitoral maiorit&#x00E1;rio de lista incompleta (se o c&#x00ED;rculo elegia três deputados, o eleitor s&#x00F3; podia votar em dois nomes) que assegurava a representação dos principais partidos minorit&#x00E1;rios, mas dava vantagem ao partido dominante. Continuaram a persistir &#x00ED;ndices de abstenção elevados e os partidos pol&#x00ED;ticos continuaram a negligenciar a integração social e pol&#x00ED;tica das massas.  </p>

			<p>O clientelismo na Primeira Rep&#x00FA;blica seguiu o modelo existente na Europa do Sul e manteve algumas caracter&#x00ED;sticas do per&#x00ED;odo da Monarquia (Lyttelton, <xref ref-type="bibr" rid="CIT42">1973</xref>; Varela Ortega, <xref ref-type="bibr" rid="CIT93">1977</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT94">2001</xref>; Graziano, <xref ref-type="bibr" rid="CIT29">1980</xref>; Cazorla P&#x00E9;rez, <xref ref-type="bibr" rid="CIT17">1992</xref>; Gellner, <xref ref-type="bibr" rid="CIT28">1986</xref>; Moreno Luzon, <xref ref-type="bibr" rid="CIT53">1995</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT54">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT56">2006</xref>; Robles Egea, <xref ref-type="bibr" rid="CIT76">1996</xref>; Forner, <xref ref-type="bibr" rid="CIT25">1997</xref>). Apenas ganhou um cunho mais urbano e administrativo. O clientelismo assentava ainda fundamentalmente no papel dos caciques e não tanto nos partidos pol&#x00ED;ticos enquanto organizações. A representação dos interesses não era canalizada pela “organização partido”, mas por um conjunto de not&#x00E1;veis que acautelavam as suas causas e os seus protegidos individualmente, criando in&#x00FA;meras redes de favores cruzados, muitas vezes incompat&#x00ED;veis dentro do mesmo partido. A organização partid&#x00E1;ria modernizou-se pouco, continuando com a mesma estrutura personalista de car&#x00E1;cter olig&#x00E1;rquico e caciquil que afastava a maioria dos seus membros das decisões e mantinha a população afastada da pol&#x00ED;tica. Os atos eleitorais internos e externos continuaram pouco transparentes e não foi poss&#x00ED;vel consolidarem-se novos partidos de integração social que renovassem os l&#x00ED;deres pol&#x00ED;ticos e os seus procedimentos. A luta pelo poder continuou a centrar-se no controlo do poder executivo, o que atrasou o processo democr&#x00E1;tico, dado que houve uma menor integração dos interesses sociais e da participação dos cidadãos, sendo a fraude administrativa dominante e a corrupção marginal nos processos eleitorais. Esta imagem de organização clientelar transparecia para a opinião p&#x00FA;blica por meio de uma imprensa cada vez mais &#x00E1;cida em relação à inefic&#x00E1;cia dos partidos e do Parlamento que não conseguia aprovar o orçamento na maior parte dos anos. A modernização e a democratização não foram requeridas intensamente pela sociedade, nem foram sugeridas pelos partidos. Estes mostraram que não estavam preparados e motivados para agrupar, modelar, moderar e canalizar para o sistema pol&#x00ED;tico os interesses e as exigências pol&#x00ED;ticas de todos os estratos sociais. A continuação das pr&#x00E1;ticas clientelares dos partidos de not&#x00E1;veis, a pouca lisura nos atos eleitorais e a inefic&#x00E1;cia dos &#x00F3;rgãos de soberania acentuaram a crise de legitimidade das instituições pol&#x00ED;ticas e empurraram para fora do sistema pol&#x00ED;tico vastos grupos da sociedade que desenvolveram petições maximalistas e atividades revolucion&#x00E1;rias (Almeida, <xref ref-type="bibr" rid="CIT03">1991</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT05">2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT06">2012</xref>; Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT36">1994</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT37">2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT38">2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT39">2013</xref>; Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT85">1997</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>No in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de vinte, os principais partidos da I Rep&#x00FA;blica j&#x00E1; não eram “puros partidos de not&#x00E1;veis”, à semelhança do que sucedia no mesmo per&#x00ED;odo na Gr&#x00E9;cia (Mavrogordatos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT48">1983</xref>) e em Espanha, uma vez que tinham iniciado uma modernização e adaptação aos novos tempos. Estes partidos ainda estavam distantes dos partidos de massas, mas eram naquele momento bastante mais evolu&#x00ED;dos que os tradicionais partidos de not&#x00E1;veis do s&#x00E9;culo XIX. Estas organizações pol&#x00ED;ticas ainda eram dominadas pela elite parlamentar e pelos ex-ministros e pelas suas clientelas de not&#x00E1;veis regionais e caciques locais, quando na Europa Ocidental se afirmavam os partidos de massas (Bernstein, <xref ref-type="bibr" rid="CIT14">1980</xref>; Orsini, Quagliariello, <xref ref-type="bibr" rid="CIT61">1996</xref>; Luebbert, <xref ref-type="bibr" rid="CIT41">1997</xref>). </p>

			<p>Os principais dirigentes dos partidos republicanos pertenciam às elites urbanas. A n&#x00ED;vel profissional, distinguiam-se os funcion&#x00E1;rios p&#x00FA;blicos, com uma presença esmagadora. Dentro dos funcion&#x00E1;rios p&#x00FA;blicos destacavam-se os militares, altos funcion&#x00E1;rios da administração p&#x00FA;blica, magistrados e professores. Os juristas, em particular os advogados, e os m&#x00E9;dicos tamb&#x00E9;m tinham um peso importante. Os pol&#x00ED;ticos ligados em exclusivo à atividade agr&#x00ED;cola, comercial e industrial eram minorit&#x00E1;rios na c&#x00FA;pula dos principais partidos da I Rep&#x00FA;blica. A classe dirigente dos partidos estruturais da I Rep&#x00FA;blica tinha uma elevada formação acad&#x00E9;mica, uma vez que mais de 80% tinha estudado em instituições de ensino superior. Destacavam-se essencialmente três qualificações: Direito, formação militar e medicina. Comparando com os partidos europeus da mesma &#x00E9;poca, e particularmente com os da Europa do Norte, a elite partid&#x00E1;ria portuguesa tinha uma formação acad&#x00E9;mica mais elevada. Esta diferença torna-se ainda mais acentuada quando se compara os dirigentes dos partidos portugueses com os dirigentes dos partidos de massas em afirmação na Europa dos anos vinte. Outra diferença not&#x00F3;ria &#x00E9; o peso maior da qualificação militar na elite partid&#x00E1;ria portuguesa. Por outro lado, a ascensão dos pol&#x00ED;ticos portugueses na hierarquia do partido era mais r&#x00E1;pida e não era necess&#x00E1;rio uma experiencia na pol&#x00ED;tica local para chegar aos lugares de topo, como acontecia em muitos partidos europeus, pelo que era comum chegar-se à direção central de um partido antes dos 40 anos (Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT84">1996</xref>; Marques, <xref ref-type="bibr" rid="CIT46">2000</xref>; Best, Cotta, <xref ref-type="bibr" rid="CIT15">2000</xref>; Almeida, Pinto, Bermeo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT08">2003</xref>; Almeida, Fernandes, Santos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT07">2006</xref>; Queir&#x00F3;s, <xref ref-type="bibr" rid="CIT69">2008</xref>; Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT31">2008</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>; Almeida, <xref ref-type="bibr" rid="CIT06">2012</xref>). </p>

			<p>A tomada de decisões nos partidos portugueses estava centralizada no diret&#x00F3;rio e no grupo parlamentar. As estruturas locais dos partidos estavam dominadas pelos caciques que tinham uma grande autonomia funcional, pelo que podiam realizar alianças com base em interesses estrat&#x00E9;gicos e familiares, desprezando as teorias ideol&#x00F3;gicas. Os partidos continuavam a ter um funcionamento interno deficiente e irregular. Eram normalmente confederações pouco coesas e flex&#x00ED;veis de comissões locais independentes, chefiadas por um cacique, com uma fraca conexão horizontal e vertical com as outras estruturas partid&#x00E1;rias. Na maior parte das localidades a mobilização pol&#x00ED;tica existia apenas nos momentos eleitorais. A organização e a burocracia partid&#x00E1;ria eram muito d&#x00E9;beis e resumiam-se muitas vezes apenas a relações pessoais, a comissões pol&#x00ED;ticas com atividade limitada aos per&#x00ED;odos eleitorais, a centros associativo-partid&#x00E1;rios nas cidades e a alguns jornais nacionais e regionais. O sistema de registo dos membros era ainda muito arcaico e organizava-se junto das estruturas locais, sem o controlo das estruturas nacionais. Os partidos portugueses tinham um aparato organizativo bastante simples, ainda sem um rol de funcion&#x00E1;rios t&#x00ED;pico dos partidos de massas. O financiamento deste tipo de partidos passava j&#x00E1; pelo contributo individual de cada membro, embora cada um pagasse consoante o seu estatuto social e permanecessem muito dependentes de receitas extraordin&#x00E1;rias provenientes da fortuna pessoal dos not&#x00E1;veis. Al&#x00E9;m disso, por norma, os partidos, eram fracamente doutrinados mas profundamente pragm&#x00E1;ticos. Não ambicionavam mobilizar grandes massas populacionais, nem transmitir uma imagem e uma identidade coletiva forte e consistente. Os seus aderentes tinham uma disciplina e fidelidade ideol&#x00F3;gica ex&#x00ED;gua e a relação com os seus eleitores não era baseada em mecanismos de delegação mas de confiança. O seu objetivo central era ter acesso privilegiado aos recursos do Estado e aliciar o maior n&#x00FA;mero de influentes regionais e locais, dado que este tipo de partidos era composto pelo somat&#x00F3;rio dos not&#x00E1;veis e das suas clientelas locais. Estes not&#x00E1;veis podiam proporcionar prest&#x00ED;gio, capacidade t&#x00E9;cnica e capital ao partido. A coesão interna mantinha-se pela perspetiva de distribuição de favores coletivos (uma estrada ou uma escola para uma localidade) e individuais (recomendações para empregos ou resolução de problemas burocr&#x00E1;ticos com a administração p&#x00FA;blica) dos patronos aos seus “afilhados”, em troca de apoio pol&#x00ED;tico durante o processo eleitoral. A indisciplina, a fragmentação e as cisões neste tipo de partido foram frequentes, devido principalmente a diferenças pessoais e lutas de liderança. Estas cisões provocavam uma associação de not&#x00E1;veis e seus amigos em torno dos novos l&#x00ED;deres com ramificações por todo o pa&#x00ED;s, dando lugar, por vezes, à formação de um novo partido (Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT36">1994</xref>; Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT84">1996</xref>; Queir&#x00F3;s, <xref ref-type="bibr" rid="CIT69">2008</xref>; Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT31">2008</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>O Partido Republicano Português e os outros partidos portugueses não se transformaram em partidos de massas. Continuou a haver nestes partidos um desajuste e afastamento progressivo entre as reivindicações urbanas mais democratizadas e participativas, e, por outro lado, a manutenção da estrutura elitista de um partido de not&#x00E1;veis, com uma conceção monopolista, hier&#x00E1;rquica e fechada do poder. No entanto, conv&#x00E9;m salientar que esta realidade não era monol&#x00ED;tica nem eterna. Quase todos os partidos portugueses iniciaram uma aproximação a um modelo de partido mais moderno e funcional, com destaque para o Partido Republicano Português, seguindo o modelo de outros antigos partidos de not&#x00E1;veis da Europa, como o Partido Radical francês, o <italic>Maurismo</italic> e a <italic>Lliga Regionalista </italic>da Catalunha, em Espanha. Contudo, continuaram a persistir em Portugal partidos com uma organização pol&#x00ED;tica mais arcaica, de base quase exclusivamente parlamentar, com uma d&#x00E9;bil ou inexistente rede organizativa a n&#x00ED;vel nacional, como o Grupo Parlamentar de Acção Republicana -1924-1925 (Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT84">1996</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>Dado que alguns partidos de not&#x00E1;veis na d&#x00E9;cada de vinte j&#x00E1; não tinham as mesmas caracter&#x00ED;sticas dos partidos do s&#x00E9;culo XIX, alguma historiografia espanhola remodelou o conceito de “partido de not&#x00E1;veis” de Max Weber e o conceito de “partido de quadros” de Maurice Duverger. Os partidos que não se modernizaram continuariam a ser designados por partidos de not&#x00E1;veis, enquanto os que iniciaram uma modernização seriam designados por partidos de quadros. Desta forma os partidos de quadros representavam uma fase de transição na evolução dos partidos. Tinham perdido algumas das caracter&#x00ED;sticas tradicionais dos partidos de not&#x00E1;veis, uma vez que passaram a ter uma estrutura burocr&#x00E1;tica e organizativa quase permanente, uma elite mais diversificada e preparada para a pol&#x00ED;tica de massas e uma maior mobilização e enquadramento dos aderentes, mas ainda não tinham as caracter&#x00ED;sticas dos partidos de massas. Utilizavam uma estrat&#x00E9;gia pol&#x00ED;tica mista em simultâneo, com uma pr&#x00E1;tica pol&#x00ED;tica moderna mais acentuada nos meios urbanos e uma pol&#x00ED;tica clientelar nos meios rurais. Entre as pr&#x00E1;ticas pol&#x00ED;ticas modernas podemos destacar o percurso dos candidatos pelo c&#x00ED;rculo em campanha eleitoral, a confraternização com os votantes, o com&#x00ED;cio, a eleição dos candidatos no seio do partido, a elaboração de um programa e a obtenção de favores para toda a coletividade e j&#x00E1; não s&#x00F3; para alguns indiv&#x00ED;duos da mesma comunidade. As pr&#x00E1;ticas tradicionais continuaram a persistir, em particular nos meios rurais, como a compra do voto, a ação dos caciques, a violência, a coação sobre os trabalhadores por parte do seu patrão, a intervenção do governador civil e de outros membros da administração p&#x00FA;blica, a fraude e a manipulação final dos resultados eleitorais (Arranz Notario, <xref ref-type="bibr" rid="CIT10">1995</xref>; Sierra, <xref ref-type="bibr" rid="CIT82">1996</xref>; Pe&#x00F1;a Guerrero, <xref ref-type="bibr" rid="CIT62">1998</xref>; Varela Ortega, <xref ref-type="bibr" rid="CIT94">2001</xref>; Moreno Luz&#x00F3;n, <xref ref-type="bibr" rid="CIT56">2006</xref>). </p>

			<p>Em Portugal os partidos tinham uma estrutura que os aproximava dos partidos de quadros nas cidades, particularmente em Lisboa. No entanto, nos meios rurais continuavam com uma estrutura e uma pr&#x00E1;tica pol&#x00ED;tica que os aproximava dos partidos de not&#x00E1;veis. Em relação a outros pa&#x00ED;ses da Europa do Sul, verificou-se um atraso consider&#x00E1;vel na modernização dos partidos pol&#x00ED;ticos portugueses. Os partidos de quadros espanh&#x00F3;is ainda que continuassem acomodados às pr&#x00E1;ticas clientelares, deram sinais de seguir as correntes democr&#x00E1;ticas da Europa do p&#x00F3;s-guerra, com um programa reformista gradual que contrabalançava as ameaças revolucion&#x00E1;rias (Su&#x00E1;rez Cortina, <xref ref-type="bibr" rid="CIT87">1986</xref>; Varela Ortega, <xref ref-type="bibr" rid="CIT94">2001</xref>; Moreno Luz&#x00F3;n, <xref ref-type="bibr" rid="CIT55">2004</xref>). Os partidos de quadros italianos tiveram muita dificuldade em adaptar-se ao alargamento do sufr&#x00E1;gio e à representação proporcional introduzida em 1919, o que permitiu um reforço da influência pol&#x00ED;tica dos modernos partidos de integração social, como o Socialista e o Popular (Ridolfi, <xref ref-type="bibr" rid="CIT74">1992</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT75">1999</xref>; Pombeni, <xref ref-type="bibr" rid="CIT68">1994</xref>; Noiret, <xref ref-type="bibr" rid="CIT58">1994</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT59">1997 a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="CIT60">1997 b</xref>; Orsini, Quagliariello, <xref ref-type="bibr" rid="CIT61">1996</xref>; Tarchi, <xref ref-type="bibr" rid="CIT88">2000</xref>; Lotti, <xref ref-type="bibr" rid="CIT40">2002</xref>). </p>

			<p>O atraso na modernização da economia e da sociedade portuguesa e o facto de o regime republicano ter um cariz revolucion&#x00E1;rio atrasou a metamorfose interna dos partidos portugueses no sentido que se estava a operar em alguns pa&#x00ED;ses europeus – cooperação com o lento processo de democratização - ainda que isso significasse, a m&#x00E9;dio prazo, a superação destes partidos de not&#x00E1;veis por parte dos partidos de massas. A transição para a democracia em Portugal não dependeu s&#x00F3; da vontade das elites pol&#x00ED;ticas nacionais e locais, mas principalmente da sociedade no seu todo. Embora este estudo não analise o contexto social e econ&#x00F3;mico, &#x00E9; evidente que a sociedade portuguesa dos anos vinte não estava ainda preparada para conseguir dar estabilidade a um sistema de democracia representativa, nem a outro tipo de partidos, como os partidos de integração social de massas, como os socialistas, comunistas e fascistas. Os partidos portugueses inseridos em sociedades civis fr&#x00E1;geis continuaram a basear-se nas elites, desprezando as massas. O sistema pol&#x00ED;tico e social português tinha algumas caracter&#x00ED;sticas que o aproximavam mais dos regimes pol&#x00ED;ticos da Europa Oriental e da Am&#x00E9;rica do Sul do que da Europa Ocidental, com uma sociedade rural, uma industrialização tardia e uma economia arcaica, inserida num sistema pol&#x00ED;tico de tradição parlamentar mas de competição e pluralismo limitado e com um baixo n&#x00ED;vel de mobilização pol&#x00ED;tica que facilitou a transição para uma ditadura de caracter&#x00ED;sticas tradicionais, onde a mobilização fascista era desnecess&#x00E1;ria ou mesmo prejudicial para proteger os interesses das elites dominantes (Mouzelis, <xref ref-type="bibr" rid="CIT57">1986</xref>; Dogan, <xref ref-type="bibr" rid="CIT20">1987</xref>; Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT36">1994</xref>; Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT85">1997</xref>; Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT71">2001</xref>; Pinto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT64">2000</xref>; Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT37">2004</xref>; Ramos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT72">2004</xref>; Baiôa, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2012</xref>). </p>

			<p>Em conclusão, durante a Primeira Rep&#x00FA;blica (1910-1926) não se deram passos consistentes para a democratização do sistema pol&#x00ED;tico. Portugal continuou amarrado à tradição liberal e elitista do s&#x00E9;culo XIX, ainda que numa versão republicana e com um sistema multipartid&#x00E1;rio de partido dominante com uma crescente falta de legitimidade.</p>
					 
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			<title>BIBLIOGRAFIA</title>


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